Curiosidades Mil Violas

Curiosidades Mil Violas

A VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES, preparou um vídeo pra você ficar por dentro de todas as curiosidades sobre o Recorde Mundial da Maior Orquestra de Viola Caipira do Mundo! Se liga no vídeo que ele vai te explicar tudo!!!


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Espetáculo Da Serra ao Cerrado!

Espetáculo Da Serra ao Cerrado!

Reunir a música das regiões Sul e Sudeste: esse é o objetivo do espetáculo Da Serra Ao Cerrado!

O projeto vai apresentar a versatilidade dos ritmos da viola caipira e do acordeon, instrumentos responsáveis por transmitir a riqueza de duas culturas tão diferentes.
O espetáculo chega à cidade em 22 de abril e vai trazer temas que cantam sobre a vida no campo e valorizam o folclore e ritmos brasileiros. Durante o show, será promovida a troca de experiências em tempo real com o público e a plateia conhecerá pontos divergentes e convergentes dessas culturas, a partir das técnicas e habilidades de cada participante.
O grupo é formado por oito músicos: Valdir Verona, Rafael De Boni, Paulo Siqueira e Robison Boeira representantes da região Sul e Tarcísio Manuvéi, Arnaldo Freitas, José Mauro e Bruno Takashy – representantes da região Sudeste.
O espetáculo Serra Ao Cerrado é promovido pela Lei de Incentivo a Cultura de Caxias do Sul e é uma realização da produtora Viola de Nois, de Minas Gerais. Apoio cultural da Marcopolo, Servicarga e SESC Caxias.


Espetáculo musical Da Serra Ao Cerrado
Quando: dia 22 de abril, às 20h
Local: Teatro Pedro Parenti (Rua Dr. Montaury, 1333 – Caxias do Sul)
Ingresso – R$ 10, no local

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte X

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte X

Tradição e inovação pela difusão da viola caipira no século XXI

Chegamos ao final dessa série comemorativa dos 10 anos da VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES com uma certeza: ainda há muito o que explorar na nova década que se inicia para a produtora. Em algumas conversas com grandes nomes da viola da atualidade descobrimos que tradição e inovação caminham juntas nessa jornada de redescoberta das possibilidades desse instrumento que permeia a cultura caipira.

Nesses dez anos a produtora tem sido como um catalisador de talentos espalhados por todo o Brasil, um ponto de encontro onde se discute, se estuda e se divulga a viola que no século XXI deve conquistar cada vez mais espaço na cultura mundial. Para isso é preciso dar sequência ao trabalho nas frentes de educação e promoção sem deixar as raízes de lado.

Idealizador do projeto “Moda de Rock“, ao lado de Zé HelderRicardo Vignini violeiro instrumentista de São Paulo é um dos pioneiros na utilização da viola, instrumento típico da cultura caipira, junto ao bom e velho rock and roll. Em 2018 faz 20 anos que ele começou a tocar viola depois de já ser profissional na guitarra. Ao todo são 28 anos de carreira. Mas não foi fácil no início.

“Quando eu comecei a tocar não tinha nem jogo de corda para viola, não se tinha escola direito para lecionar, era bem diferente. Essa inserção da viola no rock que começou como uma brincadeira vejo que tem seu mérito em levar a viola para quem não conhecia o instrumento”, disse ele que já se apresentou com Lenine no palco do Rock in Rio, usando a viola.

“A viola mudou muito e vejo algo muito interessante acontecendo agora. Está surgindo uma vertente de violeiros que usam efeitos, que tocam com uma outra linguagem e isso também está chegando em Portugal, um país muito calcado nas tradições”, explicou.

O violeiro Renato Caetano, da capital mineira, apesar da agenda cheia está sempre disposto a falar sobre sua arte. “Ainda mais se for a pedido do Manuvéi e da Polyana”, diz ele referindo-se aos dois produtores da Viola de Nóis, Tarcísio Manuvéi e Polyana Faria, a quem muito admira e destaca o trabalho feito pela promoção da viola caipira. “Temos que parabenizá-los por esse trabalho que eles têm feito na Viola de Nóis, é genial”.

Ele que já se apresentou no Teatro Municipal de Uberlândia em um evento realizado pela produtora trouxe as músicas de seu disco “As dez cordas de Liverpool” no qual toca clássicos dos Beatles. “Meu primeiro contato com a viola foi há uns 20 anos por causa do blues, que eu tocava muito. Foi quando conheci o “Rasta Bonito”, do Almir Sater. Achei lindo demais da conta. Só depois que eu vim conhecer a viola caipira mesmo. Passei a tocar com o meu pai, que tem família de tradição caipira”, recorda.

Para Renato Caetano, a viola sempre teve uma pegada mais da sonoridade, mais de característica que traz o blues e por consequência o rock que é o seu trabalho hoje.

“O que me aproximou da viola num primeiro momento foi a sonoridade, a característica da sonoridade dela e depois que vim conhecer a tradição caipira. E, eu vejo o mercado da viola hoje com alegria, porque além de ter muita gente mantendo esse processo de viola caipira como os pagodes do Tião, por exemplo, tem uma galera inovando fazendo coisas muito bonitas, uma meninada que está chegando com toda força”, disse ele destacando Fernando Sodré e Arnaldo Freitas. “Para mim ele [ Arnaldo Freitas] é uma das almas mais belas da viola que vai do caipira ao erudito”, comentou.

Liberdade de criação

O jovem Arnaldo Freitas, natural de Echaporã, já com uma história consolidada como instrumentista, ao saber do elogio de Caetano ficou emocionado. “Eu, como a maioria dos instrumentistas, olho para meu instrumento sempre na busca da inovação, da perfeição. Eu busco outros horizontes com viola, tanto em termos de repertório de artistas que admiro e me inspiram, quanto em minhas composições”, disse ele.

Seu mais recente disco, “Olhos de Maria”, traz um Arnaldo mais amadurecido. “Com o tempo vamos tocando com mais serenidade. Agora eu me preocupo mais com o que transmito ao tocar do que com a velocidade. Tem sempre aquela nota que precisa respirar e não passar correndo. Percebo que sou cada vez mais reconhecido pelo público e pelos colegas dos quais também sou fã e admirador. É preciso ter foco mesmo quando parece que você está indo contra a maré, com o tempo nosso público estará consolidado”, diz ele referindo-se as peculiaridades que imprimiu à sua identidade, sua arte. Arnaldo conta ainda “que “Os Olhos de Maria” não é um CD de música caipira, é uma conversa muito íntima com o instrumento, um disco para se ouvir no silêncio que traz canções com poucos acordes e muito sentimento.”

Mas, muitas vezes, sair do “território sagrado” da viola caipira não agrada a todos. Segundo Arnaldo é um tema delicado e gera discussões dentro do universo da viola. Alguns defensores do estilo tradicional se confrontam com a juventude, mas a viola é um instrumento musical versátil e tem ganhado proporções técnicas inovadoras. “Eu senti muito isso por conta das minhas influências. Eu ouço Paco de Lucía, mas comecei ouvindo Tião carreiro, Bambico, Zé do Rancho, Renato Andrade e também sou inspirado por Rafael Rabelo, Yamandu Costa, Andrés Segovia, o que consequentemente influencia na minha forma de tocar”, explica.

Freitas, afirma que algumas de suas músicas não têm como serem tocadas da forma tradicional, há um aprimoramento técnico usando mais o polegar, o indicador e o dedo médio. “Tem aqueles que defendem que a viola tem que ser tocada do modo tradicional. Não concordo. Você toca o que quiser na viola. A gente tem vários músicos de outros estilos que vieram para a viola. Gente que veio do rock, do violão clássico, erudito”, disse.

Para o violeiro há uma diferença entre ser um apaixonado pelo universo da música caipira – se identificar com ele, com o toque de viola que te leva para a roça, para o interior – e ser apaixonado pela viola – o instrumento, o som que ele tem – simples assim. “O roqueiro por exemplo quer ouvir o rock ao som da viola, porque ele é apaixonado pelo instrumento, não pelo universo da música caipira”, exemplifica ele reforçando também que “é preciso respeitar o repertório da música caipira que é o pedal da história da viola, o alicerce”.

Como integrante do casting da Viola de Nóis, Arnaldo Freitas vê a produtora como uma das referências em termos de produção para a viola, principalmente, a viola instrumental brasileira. “Têm projetos formidáveis que fizeram com que a viola ganhasse palcos antes destinados somente ao sertanejo universitário, a chamada música de massa. Sou muito orgulhoso por fazer parte dessa equipe que divulga a viola para o Brasil e para o mundo oferecendo possibilidade para trabalharmos, nós que ganhamos a vida no braço da viola”, comentou.

Educação

E como levar a viola cada vez mais longe? A educação é um dos caminhos. Para Paulo Santana, violeiro e professor de viola de Maringá (PR), além do trabalho de produtoras como a Viola de Nóis há muito que o poder público pode fazer em termos de estruturação e provimento do ensino de viola nas escolas públicas, conservatórios e universidades para dar ainda mais popularidade e acesso ao instrumento.

“O mercado é positivo e as perspectivas para os próximos anos também. Percebo um crescente neste segmento desde 2004 quando comecei a tocar viola. Em nossa escola de música aqui em Maringá, 80% dos alunos sempre foi de viola caipira. E, com certeza, sempre há algo a mais que podemos fazer com a ajuda do poder público”, afirmou.

Para Santana a viola é tão popular ou até mais popular que o violão atualmente no Brasil. “Acho que passou da hora de ter curso de viola em todas as universidades, assim como tem de violão”. Muitas pessoas estão interessadas em conhecer o instrumento. É, neste sentido, que a inclusão da viola caipira nos ambientes formais de ensino se faz cada dia mais premente. “Então, porque essa falta de interesse pelo instrumento nas universidades, não é mesmo?”, questiona Paulo.

Em sua tese “Viola Caipira: das práticas populares à escritura da arte”, o violeiro e professor de viola Roberto Corrêa, defende que há um avivamento crescente da viola caipira desde a década de 1960. O instrumento está sendo inserido em vários estilos de música. “Acredito que o movimento da viola caipira é o grande movimento da música brasileira. Geralmente quando falamos em movimento é algo caracterizado por um lugar, mas no caso da viola não, esse crescente vem em todo o território nacional”, afirma Roberto Corrêa do alto de sua experiência de quatro décadas dedicadas à viola.

Doutor em Musicologia pela Escola de Comunicações e Artes – ECA da USP – Universidade de São Paulo, “Roberto Corrêa não é apenas um dos maiores violeiros de todos os tempos; será, talvez, o mais importante estudioso de violas e violeiros”, segundo o jornalista e crítico musical Mauro Dias (1997). Seu trabalho é um verdadeiro exemplo, de que a inserção da viola na academia conta a favor de sua transmissão mundial.

Com 19 discos lançados, Roberto Corrêa realizou recitais em importantes salas de concerto internacionais como o Konzerthaus (Viena), Beijing Concert Hall (Pequim) e Haus der Kulturen der Welt (Berlim), ao todo foram 29 países visitados pelo violeiro. O trabalho de Corrêa, nos demonstra que por mais que as raízes da viola estejam no campo, o seu destino é mundo e, com certeza, a sistematização de seu ensino muito pode contribuir para isso.

Aqueles que querem negar todo esse “movimento”, estão perdendo a oportunidade de expandir seus horizontes e o horizontes do próprio instrumento. Dar lugar e voz à viola é garantir a representatividade que ela já detém, é fomentar a propagação das nossas tradições, mas, mais do que isso é respeitar todos os outros que têm desenvolvido técnicas e estilos musicais plurais a partir da viola, no século XXI.

Pensar fora da caixa

O violeiro Fernando Sodré, de Belo Horizonte (MG), quando o assunto é tradição x inovação, afirma que é necessário que haja um “desaprisionamento” da viola enquanto instrumento, principalmente por parte dos violeiros para sua maior projeção. “A viola carrega o estereótipo do instrumento caipira, da autêntica música raiz que é uma das essências do instrumento. Mas para mim ela é um instrumento como qualquer outro. Tem todas as notas para serem tocadas e o instrumento tem que passear mais por outros gêneros, estar livre”, explicou.

Fernando Sodre afirma que quanto mais o instrumento for abrangendo esses outros caminhos mais a viola vai permanecer, porque isso também dá aceso a um outro tipo de público a outras pessoas. “É a viola dentro do rock, do jazz, do choro, no caipira no que for na música popular brasileira para o instrumento se popularizar mais e as pessoas terem maior conhecimento do que ele é. Quando a pessoa se aprisiona em um estilo vai ficar sempre preso naquele universo carregando este estereótipo, mas quando o instrumento é livre ganha o mundo”, explica.

Para ele este é o caminho que viola tem que trilhar neste século para ter maior amplitude. “Com isso vão surgindo novos violeiros, pessoas criativas que vão levar a viola par outros caminhos que vão chamar a atenção. É claro que os grandes instrumentistas têm um papel considerável com isso na divulgação, como o Almir Sater, Renato Andrade, Zé Coco do Riachão, entre outros que são responsáveis pela popularização do instrumento”, finalizou.

Agradecimento

Eu peço licença, leitor, para agradecer esta oportunidade de conversar com tanta gente interessante e aprender mais sobre essa viola nossa de cada dia de sonoridade tão bela e com tantas perspectivas. Essa série me ensinou muito. Quando cheguei para assistir ao “Mil Violas” no Sabiazinho uma conhecida se aproximou dizendo: “Roqueiro também gosta de viola?”. Confesso que me senti um pouco triste com essa colocação, como se roqueiro fosse um ser limitado. Não é bem assim. E nisso tem mérito esse trabalho da Viola de Nóis aqui em Uberlândia e região porque enxergamos um trabalho sério e competente que sobrevive ano a ano sempre pensando em se superar. Foi um prazer fazer parte dessa história, desses 10 anos.

Por Adreana Oliveira
Jornalista, roqueira e mãe do Nicholas

Produzido para a série “Viola de Nóis Produções: 10 anos”

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte VIII

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte VIII

Raízes que garantem o futuro

Projeto sociocultural da VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES investe hoje no amanhã

As árvores mais frondosas, mais resistentes e mais antigas estão estabelecidas sobre raízes fortes que tiram da terra tudo que é necessário para nutri-las durante suas vidas que podem ultrapassar os mil anos. Foi com esse pensamento que a Viola de Nóis Produções batizou um de seus principais projetos socioculturais: o Raízes do Sertão, que teve sua primeira edição realizada em 2008.

Com uma competente equipe de professores, músicos, atores, bailarinos e produtores, a Viola de Nóis desenvolveu o projeto para atender as crianças e adolescentes da zona rural de Uberlândia afim de alimentar a árvore da cultura caipira. Mais do que um projeto desenvolvido para o campo, o Raízes do Sertão é desenvolvido no campo. Os nutrientes, ou a energia que permeia todas as atividades se encontra no instrumento principal dessa cultura: a viola caipira e, junto dela, a catira com seus ricos e desafiantes passos e a interpretação com causos e histórias do homem do campo e seu modo de vida.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) somente 10% da população brasileira viverá no campo em 2030. A migração para as cidades é grande, mas não podemos esquecer que é do campo que vem o sustento de toda a sociedade. É isso que o projeto Raízes do Sertão busca levar para os jovens do campo, mostrando a eles que devem se orgulhar de suas origens e ter interesse em ser parte atuante desse ambiente.

Aos que se questionam, fazer parte do Raízes do Sertão não significa ser avesso à cidade, pelo contrário, a convivência entre campo e cidade é apresentada dentro das particularidades de cada realidade e incentivada e, isso ganha contornos mais efetivos e transformadores se trabalhados desde cedo com essas pessoas que se sentem inferiorizadas, muitas vezes.

Ao longo de suas sete edições, participaram do Raízes do Sertão todas as escolas rurais de Uberlândia e cinco escolas da zona oeste de Uberlândia (dos bairros Dona Zulmira, Jardim Patrícia, Luizote de Freitas, Planalto e Tubalina), além da Escola Municipal Cidade da Música. Ao todo já foram mais de 20 mil contemplados pelo projeto.

As atividades do Raízes do Sertão propõem aos jovens estudantes remontarem simbolicamente a vivência de tudo que é bom, prazeroso e importante no campo. Isso é a seiva que manterá viva a árvore da nossa memória cultural.

Em sua 7ª edição, fruto da parceria entre a Viola de Nóis Produções e Universidade Federal de Uberlândia-UFU, o Raízes do Sertão foi realizado no primeiro semestre de 2017 levando os alunos das escolas rurais para um estúdio de gravação em Uberlândia. 12 músicas autorais compostas por estudantes, em forma de poesia, e musicadas pela equipe do projeto na edição de 2015 no Festival Raízes do Sertão foram gravadas. O CD está em processo de prensagem.

Além da gravação do CD, foram apresentadas palestras nas escolas rurais sobre aspectos econômicos e sociais da vida no campo e importância da formação para atuação nesse ambiente pelos professores Antônio César Ortega e Bruno Perosa do Instituto de Economia da UFU.

Uma mostra desse trabalho é apresentada nesse videoclipe, dirigido pela Penumbra Filmes, com as alunas da Escola Municipal de Sobradinho Kamilla Fernandes de Oliveira, Kauane Teixeira da Silva, Keila Alves Coutinho, Maria Clara Segate Caetano e Thaís Jordão Silva juntamente com os músicos Tarcísio ManuvéiJosé Mauro e Michelle Marques Silva. A música “Recanto da Saudade” cantada por eles é de autoria do aluno Samuel Henrique Oliveira Nascimento da Escola Municipal Leandro José de Oliveira.

Não se trata de dividir a vida entre campo e cidade e sim mostrar que é necessária uma convivência harmoniosa entre ambos para a sobrevivência de todos. E, um povo que preserva sua memória é um povo forte. Vida longa ao Raízes do Sertão!

Nossos agradecimentos são dedicados a todas a escolas, diretores, professores e alunos das escolas rurais de Uberlândia/MG.

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte VII

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte VII

Mil Violas: viola caipira sem fronteiras rumo ao Guinness Book

Era noite de sábado, mas, precisamente dia 28 de outubro de 2017, na cidade de Uberlândia, no interior de Minas Gerais, aconteceu a segunda edição do Mil Violas, uma produção da Viola de Nóis Produções. Sob o comando do competente maestro Rui Torneze, formou-se a Maior Orquestra de Viola Caipira do Mundo, composta por violeiros e violeiras de todo país que ali tocaram em centenas, mas no compasso de um só coração.
O público acolheu a ideia e lotou o Ginásio Sabiazinho. O relógio ainda não marcava 17 horas e a arquibancada já estava cheia, pessoas ansiosas aguardavam a ocupação das cadeiras azuis pela grande orquestra. Era gente pra todo lado, de todas as idades e classes sociais. As crianças ficaram encantadas com o drone que registrava o evento. Os mais velhos apreciavam com olhos atentos a viola vermelha de Tião Carreiro, o homenageado da segunda edição do Mil Violas.É, o Mil Violas tirou o uberlandense de casa, que pôde assistir um espetáculo lindo e memorável, com um desfile de clássicos das músicas brasileira e mundial. Com exclusividade a Orquestra executou “La Paloma” uma canção espanhola de 1863, de domínio público, composta por Sebastian Yradier (1809-1865) que com certeza se orgulharia do resultado.

Mas o público vibrou mesmo com as composições genuinamente caipiras, brasileiras: “Beijinho doce”, “Boiadeiro errante”, “Chora viola”, “Hino de Reis”, “Meu reino encantado”, “Saudade de minha terra” e “Vide Vida Marvada”. Preciosidades da nossa música que ganharam mais brilho com essa orquestra única e inigualável.

A iniciativa ousada tem o objetivo de entrar para o Guinness Book, o Livro dos Recordes como Largest Viola Caipira Ensemble. Se o recorde será aceito ou não, precisamos esperar um pouquinho mais. Mas no geral, o Mil Violas alcançou algo que livro nenhum consegue registrar, porque emoção não se mede.
A primeira edição foi em 2015 e reuniu 520 violeiros. Nesse 2017 foram 674 presentes e mais de 1000 inscritos. Mais que o número em si, o evento entrou para a história da cadeia produtiva da viola e marca de forma irretocável os 10 anos da Viola de Nóis Produções.

Os célebres momentos de homenagem à viola que precederam o grande momento da Orquestra também foram destaques da noite, apresentados com maestria pelo ator e violeiro Jackson Antunes. Performances das mulheres violeiras, da viola nas músicas de fronteira, instrumental e regional, além da emocionante participação de Léu, da dupla Liu & Léu, que no alto de seus 80 anos abrilhantou o Mil Violas esbanjando carisma e simpatia.

Ah… Tião Carreiro lá de cima deve de ter ficado foi cheio de orgulho, era tanta viola e tanto violeiro, preservando e difundindo seu legado.
E, ainda no clima das boas energias que pairaram naquele fatídico sábado, apresentamos nosso teaser de agradecimento a todos os patrocinadores, parceiros e público que colaboram, compareceram, mas, que, sobretudo, acreditaram que o sonho era possível e ele foi.

Aos violeiros e violeiras, guerreiros de verde e amarela, não por acaso suas vestes remetiam à bandeira brasileira, nosso MUITO OBRIGADO. A Viola de Nóis Produções espera todos vocês em 2018, para que juntos possamos mais uma vez fazer do impossível possível.

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte VI

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte VI

 

A importância de tudo e todos que você não vê

Nesses 10 anos da VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES muito foi feito para dar à viola todo o destaque que ela merece. São encontros, circuitos, festivais, mostras entre tantos outros eventos carinhosamente realizados pela produtora para o encantamento de seu público. Ao assistir esses espetáculos as pessoas aproveitam para se divertirem e aprenderem e a Viola de Nóis cuida para que todos saiam satisfeitos. Por isso, não poderíamos deixar de falar nesta série de aniversário do trabalho intenso feito nos bastidores.

Objetivos são definidos e há um trabalho árduo da produção para que eles sejam alcançados. Pesquisas e mais pesquisas, orçamentos, planilhas, contato com fornecedores e artistas, conciliação de agendas, são alguns dos caminhos percorridos na tentativa de que tudo seja perfeito, “como manda o figurino”!

De 2004 a 2012, a Viola de Nóis realizou nove edições do Encontro de Violeiros de Uberlândia e nenhuma foi igual a outra. Sua longevidade não seu deu por acaso. Em 2011, a produtora realizou também Encontros de Violas em Ituiutaba e Monte Carmelo. 2012, foi a vez do circuito itinerante, o “Circuito Integração de Viola” que passou por Patos de Minas, dentre outras cidades. Uberaba, que também fez parte do rol das contempladas, viu o “Festival Viola Encena” acontecer e ser sucesso no Cine Teatro Vera Cruz, uma continuidade do FeNaCruPe – festival nacional de viola que começou no charmoso distrito Cruzeiro dos Peixotos.

Em todos esses anos vários foram os eventos e maior ainda a quantidade de gente envolvida. Mais de 1.000 profissionais atuando junto à Viola de Nóis. Desde o planejamento, passando pela captação de recursos, execução, até a prestação de contas. E entre esses verdadeiros heróis das produções de eventos, citamos os produtores, os diretores, os colaboradores, os assistentes, os arquitetos, os engenheiros, os figurinistas, as costureiras, os iluminadores, os técnicos, os roadies, os carregadores, os contrarregras, os fotógrafos, os videomakers, os maquiadores e tantos outros que não estão no palco, mas merecem nossas palmas.

O fato é que a Viola de Nóis Produções e sua equipe de peso, vem num crescente com as produções artístico culturais, sendo contemplada a cada dia por grandes marcas e parceiros em Uberlândia e região, graças ao aprimoramento de seu fazer diário e a incessante busca pela qualidade nos serviços oferecidos.

A grande missão da produtora é possibilitar à viola cada vez mais destaque, enaltecendo-a e colocando-a em lugares antes inimagináveis, que é onde ele merece estar. O Mil Violas, evento de destaque nacional, é prova disso. 2018 começa com a possibilidade de que a Maior Orquestra de Viola Caipira do Mundo entre para o livro dos recordes – o Guinness Book.

Dose Dupla

A Exposição Agropecuária de Uberlândia (Camaru Uberlândia) chegou à sua 54ª edição em 2017. Entre suas atrações, artistas brasileiros já consagrados. Não é qualquer atração que tem o aval para chegar àquele gigantesco palco do Parque de Exposições. E a Viola de Nóis chegou lá com mais uma produção de qualidade nacional.
Os dias 2 e 3 de setembro, podem ser caracterizados como marco para o atual momento do instrumento e da produtora em Uberlândia, pois num espaço onde é comum a realização dos grandes shows sertanejos, durante uma tradicional festa agropecuária, o público viu e ouviu a viola tinir e tablado ecoar – Aconteceu o Festival Instrumental Raízes do Campo e a Mostra de Dança Minas Catira.
Todas as ações de ambos os eventos tiveram portões abertos. Isso graças a um trabalho em parceria com o Sindicato Rural de Uberlândia (realizador da feira), os patrocínios da Algar Telecom, Bioenergética Aroeira e Rodoban, por meio dos incentivos dos Governos Federal e de Minas Gerais, através da Lei Rouanet e Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
Durante a tarde do dia 2 de setembro especialistas levaram para o auditório do Camaru a mesa redonda “A música instrumental de viola no cenário atual” que foi discutida e comentada pelos artistas Arnaldo FreitasFernando SodréValdir Verona e Rafael De Boni e mais o convidado Tarcísio Manuvéi. O debate foi acerca dos aspectos da atuação dos violeiros instrumentistas e fomento no cenário nacional à música instrumental de viola. A mesa se destinou aos violeiros, estudantes de música e produtores.
No dia 3 de setembro a população uberlandense foi presenteada por um show para toda a família. Das 15h30 às 17h aconteceu a Mostra de Dança Minas Catira. Os grupos de Catira Tradição de Minas (MG); Espora de Prata (SP); Os Favoritos da Catira(SP) e Os Considerados Catira (GO), embalados pelo recortado da viola ressoaram cânticos originais, enaltecendo toda uma tradição de mais de 450 anos.
A noite foi coroada com shows especiais dos instrumentistas Arnaldo FreitasFernando SodreMarcos Violeiro,Valdir Verona e Rafael De Boni no Festival Instrumental Raízes do Campo. Ainda como parte da programação, a bela mistura de artes com a Catira Tradição de Minas junto a bailarina Cristiane Cabral Bengezen(Cris Cabral); dos bailarinos Jô Cariso e Neides Prestes do JC Instituto de Dança e da Cia de Dança Balé de Rua, compondo um espetáculo de extremo virtuosismo e beleza.
A produtora Viola de Nóis nesse caso comprova que além de estar ligada com tudo que acontece em todo o Brasil referente à viola e à catira também mostra que está com os olhos bem abertos para os destaques de nossa cidade e de nossa região e dá a eles todo suporte para brilharem! A produtora valoriza seu público, seus artistas, seus parceiros: seu legado.

Confira agora o teaser com os melhores momentos do Festival Instrumental Raízes do Campo e da Mostra de Dança Minas Catira. Para o público que assistiu atento e emocionado as apresentações de primeira grandeza, nosso MUITO OBRIGADO! Nessa hora, percebemos que todo o trabalho e todo o suor valeu a pena.

Para lembrar

Confira os principais eventos produzidos pela Viola de Nóis nestes 10 anos
*Encontro de Violeiros de Uberlândia (de 2004 a 2012)
*Encontro de Violas em Ituiutaba (2011)
*Encontro de Violas em Monte Carmelo (2011)
*Circuito Integração de Viola (2012)
*Festival Nacional de Viola de Cruzeiro dos Peixotos – FeNaCruPe (de 2011 a 2013)
*Festival Viola Encena (2014)
*Mostra Viola in foco: edição Uberlândia (março 2016); edição Ituiutaba (outubro de 2016)
*Festival Raízes do Sertão das Escolas Rurais (2015)
*Festival Raízes do Campo (2016)
*Mil Violas (2015 e 2017)
*Festival Instrumental Raízes do Campo e Mostra de Dança Minas Catira (2017)

 

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte V

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte V

Da roça a rota da Tocha Olímpica: uma história sobre a Catira em Uberlândia

Em tempos de globalização é cada vez mais raro presenciar manifestações genuínas de culturas tradicionais. Na busca por serem “globais” pessoas expõem suas “aldeias” e, os olhos do mundo têm se voltado para os interiores de diferentes cidades, de diferentes países. Em 2016, uma dança típica brasileira do meio rural, fez parte do maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Na rota da tocha pelo país, a Catira em Uberlândia foi um dos destaques.

Durante muitos anos a Catira foi um território predominantemente masculino, felizmente as mulheres têm ocupado este espaço. Um dos exemplos foi o grupo de jovens catireiras, Catira Raízes do Sertão, coordenado por Polyana Faria e Débora Cristina, o grupo foi formado em 2012 pelo produtor cultural Tarcísio Manuvéi, a partir de um projeto de extensão realizado numa parceria entre a VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES e Universidade Federal de Uberlândia(UFU).

Raízes do Sertão, foi referência na cidade durante os anos em que esteve em atividade. “Com pinceladas de feminilidade, inspiradas pela simplicidade e rudeza dos ipês dos Cerrados, o grupo semeava as sementes da graciosidade caipira no solo sagrado da nossa cultura e, com orgulho, no cumprimento da missão, esparramaram a tradição”, recorda Polyana. Porque, em Uberlândia a catira era pink e tinha cabelos longos, afirmação da gigante automotiva Nissan, uma das patrocinadoras dos jogos olímpicos. A montadora, através da equipe Vetor, buscou pessoas e projetos de referência no Brasil que dialogassem com a proposta da campanha que daria visibilidade a inciativas “atrevidas”. Não demorou muito para o trabalho desenvolvido com a Catira Raízes do Sertão chamar a atenção da equipe Vetor e, depois de entrevistas e uma maratona de etapas junto ao Comitê Olímpico Brasileiro(COB) os nomes de Tarcísio Manuvéi e Polyana Faria foram aprovados para serem condutores da Tocha Olímpica em sua passagem por Uberlândia.

Foram mais de 1,5 mil histórias “atrevidas” de pessoas que vislumbravam desfilar com o maior símbolo dos Jogos Olímpicos. Com grande alegria, a Catira estava entre as selecionadas: “Rota da Tocha – A Catira em Uberlândia”. Tarcísio e Polyana representavam o Grupo de Catira Raízes do Sertão, cuja a história encantou por sua raiz cultural e pelo trabalho de difusão entre os jovens. Os produtores da Viola de Nóis Produções, conduziram com orgulho a Tocha que rodou o Brasil, movimentando o país em 2016.

Os pesquisadores envolvidos no processo de seleção dos condutores da Tocha enxergaram que devido a dança ser considerada uma das manifestações sociais mais antigas, as danças populares têm um papel fundamental na hora de contar a história de um povo.

OS MESTRES

A catira é cativante. Basta ouvir o recortado da viola e as palmas e batidas dos pés dos catireiros para se emocionar. Em Uberaba (MG), encontramos o senhor Vinícius Teles, ou Vinícius Violeiro, 72 anos, 59 deles dedicados à catira. “É algo que meu avô passou para o meu pai e meu pai, o saudoso Manoel Teles, passou para meus dois irmãos e eu. Danço, canto e até componho para a catira e te digo que é um amor sem tamanho e farei isso até Deus me chamar”, afirmou o simpático e bem-disposto catireiro.

Vinícius Teles é parte da história viva da catira na região do Triângulo Mineiro. No final de setembro perdeu um grande amigo, o senhor Romeu Borges, Mestre de Catira, arte na qual ingressou aos 8 anos de idade, outro que dedicou praticamente uma vida à catira. “Pelo menos fica a lembrança e os ensinamentos de todos que se foram, fazer a festa lá em cima e é muito importante esse pessoal mais novo, preocupado em viajar para longe e ir até para o espaço, ver um pouco do que temos aqui, bem perto, e valorizar isso. A catira é a coisa mais linda que já vi”, disse Vinícius que é professor de catira dos mais procurados da região.

Hoje ele não dança tanto, dedica mais tempo a tocar e compor. Os filhos não herdaram essa paixão do pai. Porém, o senhor Vinícius não se preocupa com isso. “Não adianta forçar só porque é da família. A paixão pela catira parece já nasce com a gente”, comenta ele que formou na juventude o grupo de catira Revelação Uberaba e atualmente segue no grupo criado pelo pai, o Catira Raiz.

Vinícius Violeiro foi ele o primeiro professor do Grupo de Catira Raízes do Sertão. Ele trouxe ao grupo uberlandense iniciante seu inestimável conhecimento. Isso é o que podemos chamar de começar com o pé direito. Cada grupo de catira tem suas particularidades e os ensinamentos de Vinícius Violeiro ajudaram a moldar o Raízes do Sertão. Outro mestre do grupo foi o senhor Romeu Borges, que durante a produção deste texto não estava bem de saúde, e despediu-se desta vida no mês de setembro. Ele, que dividiu o palco com a bailarina brasileira mais conhecida no mundo, Ana Botafogo, trouxe para o grupo uberlandense lições que nenhum livro guarda. Essa convivência foi enriquecida a cada ensaio, a cada apresentação.
Vítima de complicações de uma pneumonia Romeu Borges, ou Seo Romeuzinho, como era carinhosamente chamado por amigos e admiradores, faleceu aos 85 anos e com sua partida a catira perdeu um de seus principais divulgadores.

Seo Romeuzinho, mais do que ninguém, ensinou que a espontaneidade e destreza devem ser sempre valorizadas na catira, em todas as coreografias. Ele foi um dos fundadores da Catira dos Borges, lá em 1940 e enquanto tinha saúde divulgava essa arte onde quer que fosse. Não hesitou em aceitar o convite do “Fantástico” (Globo) para se apresentar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro ao lado de Ana Botafogo e novamente angariou novos e milhões de admiradores para a catira.

O Grupo de Catira Raízes do Sertão sempre teve uma admiração explícita por Senhor Romeu e por sua alegria. Ele sempre agraciava o grupo com seus ensinamentos sobre catira e com um sorriso que estará sempre na memória de todos que o conheceram.

E graças a mestres como estes o Grupo de Catira Raízes do Sertão foi longe… chegou na capital paulista para gravar o programa “Viola, Minha Viola”, na TV Cultura, sob o comando da saudosa Inezita Barroso. Foi o único grupo feminino de catira a se apresentar no programa que teve somente mais uma edição com Inezita.

ACOLHIMENTO

Pelo Raízes do Sertão passaram cerca de 15 jovens entre homens e mulheres e um dos destaques foi Debora Cristina, que lembra com carinho dos tempos de Raízes do Sertão. “Foi muito marcante pra mim porque a catira foi algo que descobri sozinha, um interesse meu. Não tenho tradição familiar nessa cultura”, conta ela que começou a dançar catira aos 13 anos, coincidentemente a idade que tinha o senhor Vinícius Teles também no início.
O que mais marcou Débora foi perceber o quanto as famílias de catireiros amam essa arte e muitas vezes a levam adiante em troca de nada. “A catira não é só uma dança de exposição, é uma troca. Antes era dançada para comemorar grandes colheitas, para trocas de alimentos nas fazendas onde às vezes nem se falava a mesma língua mas por meio da catira se entendiam. Até hoje temos grandes mestres para reverenciar aqui”, disse ela que lembra ainda como aprendeu com Wosley Torquato, representante de três grupos de catira na região. “Ele e todos do grupo me receberam muito bem, me senti como se fosse da família”, recorda.

Wosley Torquato e o Grupo Catira Tradição de Minas também foram peças fundamentais para a bela trajetória do Raízes do Sertão. Mestre Torquato é um admirador do trabalho da Viola de Nóis na divulgação e preservação da cultura caipira, mas esse assunto é para um outra hora…

De pai para filho ou não, a catira persiste e segue seu caminho divulgando cada vez mais a cultura caipira.

Por Adreana Oliveira, Ilustração por Alexandre França produzido para Viola de Nóis Produções.

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Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte IV

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte IV

 

 

Encontro de Violeiros comprova força da viola em Uberlândia

Um evento que de tão tradicional e representativo ganhou lugar no calendário oficial do município de Uberlândia. Assim é o Encontro de Violeiros, que começou modesto, na Oficina Cultural, no tradicional bairro Fundinho, em 2003 e, cresceu, sem pressa, sem atropelos, até chegar ao palco do Teatro Municipal da cidade em sua 14ª edição. É algo a mais para a VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES se orgulhar neste décimo ano de atividades, celebrados com esta série de postagens que chega ao seu quarto capítulo.

Desde o início o intuito de Tarcísio Manuvéi foi disseminar a importância da música caipira em Uberlândia, aproximar os violeiros da cidade e possibilitar um ambiente de trocas. A repercussão dos primeiros anos foi tão boa que o Encontro de Violeiros tornou-se evento oficial do município a partir de 2009, sancionado pela Lei 10.095 de 15 de janeiro de autoria do então Vereador Misac Lacerda. Iniciativa de Manuvéi, que logo vislumbrou novas possibilidades para o evento.

A Viola de Nóis Produções esteve à frente do Encontro de Violeiros até a nona edição. Um evento sociocultural que agora mobiliza violeiros de todo o Brasil ganhou a produção de um grande parceiro da produtora, o Sesc em Minas Gerais, os responsáveis pelo evento a partir da décima edição, tendo como curadora das edições 10, 11 e 12 a Viola de Nóis, tanto know-how tinha que ser aproveitado.

A unidade do Sesc abrigou o evento até a nona edição e, no aniversário de 10 anos, o Encontro de Violeiros chegou ao palco mais cobiçado de Uberlândia: o do Teatro Municipal. O prédio projetado pelo saudoso Oscar Niemeyer – que recebia em seu palco interno monstros sagrados do teatro brasileiro e na área externa espetáculos de renomados grupos nacionais além de skatistas e famílias inteiras que têm naquele espaço momentos de lazer e prática de esportes – rendia-se ao som da viola caipira. Memorável!

Desde então esse passou a ser o lugar do Encontro de Violeiros – exceto pela edição 12, que graças ao grande público, foi realizada no Parque do Sabiá.

Entre ídolos e fãs

No último 27 de agosto, em sua 14ª edição e com ingressos esgotados, o Municipal recebeu novamente o Encontro de Violeiros. Se apresentaram a Orquestra Sesc de Viola, Arnaldo Freitas e Tarcísio Manuvéi. A noite foi coroada com a participação da dupla Zé Mulato & Cassiano. Os irmãos mineiros que começaram a carreira em 1969 não poderiam estar em melhor fase. Em julho, foram agraciados com o Prêmio Música Brasileira como melhor dupla regional do Brasil.

Neste 14º Encontro de Violeiros estava presente o jovem José Mauro. No mês em que completa 21 anos, com mais de 10 dedicados à viola, ele se recorda das primeiras apresentações no evento, que para ele começaram em 2009. “Participei em dupla com minha irmã, Polyana, com o Tarcísio Manuvéi e na Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira e pra mim já está enraizado, não tem como faltar”, diz José Mauro.

Ele recorda que um dos momentos mais marcantes que o Encontro de Violeiros lhe proporcionou foi a primeira vez em que esteve frente a frente com Zé Mulato & Cassiano hoje, amigos seu. “Era novidade para nós, e eu ainda tinha meu avô do meu lado, muito fã deles. Nos receberam tão bem que eu mal podia acreditar e hoje posso dizer que a amizade cresceu”, recorda o violeiro que perdeu o avô, senhor José Ferreira, no ano passado e por isso esse momento é tão significativo para ele.

E eis que o menino foi de fã a ídolo também em um Encontro de Violeiros de Uberlândia. “Foi quando dei meu primeiro autógrafo… comentei com a Polyana que estávamos parecendo artista grande”, brinca o modesto músico. Afinal, todo artista tem sua natural grandeza.

Por essas e por outras é que além de fomentar a arte da viola em Uberlândia Tarcísio Manuvéi e a Viola de Nóis Produções proporcionam vivências inesquecíveis para quem abre os olhos e os ouvidos para a musa dos sertanejos. E quem ganha, é o público.

Para ter uma ideia da grandeza do projeto, basta ver os nomes de quem já passou por ele. Além dos já citados tivemos Inezita BarrosoPena Branca,Tinoco, Almir SaterSérgio ReisRenato TeixeiraBruna ViolaFernando SodréVioleiro Chico Lobo Chico LoboPereira da V iolaJuliana AndradeLuiz Salgado, Téo Azevedo, Alexandre Saad e João Araújo. Duplas como CACIQUE & PAJÉPedro Bento e Zé da EstradaIrmãs BarbosaMarcos Violeiro e Cleiton TorresLucas Reis e Thacio e grupos como Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado, Violeiros Matuto e Trem das Gerais.

Além do som da viola, a cultura sertaneja foi celebrada com shows de dança catira, contação de causos, apresentações teatrais, palestras e oficinas oferecidas no circuito da viola mais orgânico e acolhedor de Uberlândia. Vida longa ao Encontro de Violeiros, à Viola de Nóis e aos muitos “causos” que virão de suas trajetórias.

Por Adreana Oliveira, Ilustração por Alexandre França produzido para Viola de Nóis Produções.

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Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte III

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte III

A magia da viola no picadeiro

Quando as primeiras duplas caipiras surgiram elas tinham um lugar muito particular onde se apresentavam: o picadeiro do circo. Em uma época sem internet ou redes sociais a itinerância do circo proporcionava às duplas um espaço democrático para mostrarem seu trabalho e serem reconhecidas. Afinal, o mercado tradicional não oferecia essa possibilidade. Nesses 10 anos da Viola de Nóis Produções, um de seus projetos mais memoráveis prestou homenagem e resgatou essa época tão rica. Respeitável público, como vocês um pouquinho da história da turnê: “A viola no picadeiro”.

A turnê reuniu artistas da música, do teatro e da dança e trouxe à tona a importância da grande lona para a música caipira. Tarcísio Manuvéi foi um dos idealizadores e mestre de cerimônia desse espetáculo plural que completa em 2017 também 10 anos, assim como a produtora Viola de Nóis. A relação da produtora com grandes nomes da música caipira foi fortalecida na época, por meio do projeto. No vídeo produzido em dezembro de 2007 para o Programa “Café com Cultura” o saudoso Tinoco falava emocionado sobre sua participação na turnê e sobre a importância do circo para a dupla Tonico & Tinoco.

Assista ao vídeo:

Em conversa com Manuvéi, que celebrava a participação do ídolo, Tinoco contou que na época os palhaços não eram suficientes para entreter público e afirmou que a dupla fez mais de 30 peças teatrais caipiras voltadas para o circo. Tinoco declarou ainda sua satisfação por fazer parte da turnê: estou muito contente e muito à vontade aqui no picadeiro do Tarcísio. Ele também lembrou que eles foram pioneiros no picadeiro que depois ajudou a divulgar as músicas de Tião Carreiro & Pardinho, Xavante & Xavantinho, que depois virou Pena Branca & Xavantinho, entre outros. Na ocasião, já no palco em uma das paradas da turnê, Tinoco falava dos 87 anos recém completados. “Quem vive alegre como eu, vive mais. Quem trabalha com amor vai viver muito mais, se fechar a cara sobe logo lá pra cima”, brincou.

O sniper caipira

O espetáculo “A viola no picadeiro” tinha, claro, muita moda de viola, catira e intervenções teatrais com muitos causos contados por atores do Grupontapé de Teatro e atores como o simpático e competente Deivid Osborges, que entre outros personagens participou da dupla “As Goianinhas do Acre” e mais recentemente deu vida ao super herói “Remela”. “Participar da turnê “Viola no Picadeiro” foi uma fase muito boa para as Goianinhas, porque conseguimos experimentar o humor da dupla, que já se apresentava há algum tempo pela região, em locais por onde nem sonhávamos em aparecer. Além disso, estávamos ao lado de figuras muito importantes da música caipira. Foi gratificante para o nosso trabalho”, disse o ator e humorista.
Ele conta que foi uma oportunidade ímpar para a dupla. Algo que marcou Deivid nessa turnê foi conhecer Pena Branca. E o artista comparou o violeiro a um sniper, palavra em inglês para designar um atirador de elite. Quem diria, um sniper caipira… “Além de ele ser um grande artista, o Pena Branca era uma figura muito engraçada. Sabe aquele cara que observa tudo, fica caladinho e quando você menos espera ele “pah” … solta um comentário muito engraçado e muito pertinente. Foi um cara muito legal de conhecer, passar alguns dias na estrada com ele foi genial”, disse Deivid.
Genial mesmo esse Pena Branca, genial também foi Inezita Barroso – a rainha da viola – apresentadora do “Viola, Minha Viola” – que além de ter surgido no cenário circense também participou com muito gosto da turnê promovida pela Viola de Nóis.  A gente espera que eles estejam curtindo essas lembranças lá de cima junto a outros imortais da cultura caipira brasileira.

Sempre mais

Do lado de cá, outros militantes da viola caipira continuam perpetuando esta arte como o violeiro, cantador e compositor mineiro Luiz Salgado, que também integrou a turnê “A viola no picadeiro”. Até hoje um estudioso e produtor de música de viola, ele vê mérito no projeto por trazer à tona algo que está cada vez mais esquecido. “Muitos artistas caipiras começaram no circo e essa arte está se perdendo. Muita coisa mudou e nem tudo para melhor. Os grandes shows e festivais se transformaram, mas megaestrutura nenhuma substitui o talento”, diz o violeiro que fala também da mudança do público. “Chega a ser assustador”. Para Luiz Salgado é fundamental valorizar a história da música caipira, que não pode ser esquecida. “Por exemplo, nos Estados Unidos muitos dos pioneiros do blues já se foram e por aqui temos ainda muitos mestres pioneiros da viola bem e lúcidos. Precisamos ouvir suas histórias aprender com eles, pegar a informação, o aprendizado direto na fonte”, afirma. Com 20 anos de carreira Luiz Salgado afirma que uma segunda edição da turnê seria muito bem-vinda. E acreditamos que o público também se junta ao coro do bis.

Itinerância

Além de Tinoco,Pena Branca, Inezita BarrosoTarcísio Manuvéi & Grupo Viola de Nóis, Luiz Salgado e Grupontapé de Teatro, participaram também da turnê “A viola no picadeiro”, grandes nomes da viola caipira como Marcos Violeiro e Cleiton TorresAlexandre Guti Saad & Grupo Cheiro de Mato, Catira dos Borges, Zé Doradin e Riberão e a extinta Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado. O projeto aconteceu com os incentivos da Lei Rouanet e do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o patrocínio do Martins, Iamar Instituto Alair MartinsTribanco, Grupo São Martinho, Acesita Energética e a realização da Viola de Nóis Produções. A turnê passou pelas cidades mineiras de CapelinhaItamarandibaMinas Novas MGTimóteoUberaba e Uberlândia. Os estados de Goiás e Paraná tiveram as cidades de Itumbiara-GO e Maringá contempladas.

“A viola no picadeiro” contabilizou um público de 20 mil pessoas que assistiram a um espetáculo múltiplo que valorizou e difundiu a cultura caipira. Essa turnê deixou saudade…e um gostinho de quero mais.

Por Adreana Oliveira, Charge Ronaldo Prado produzido para Viola de Nóis Produções.

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Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte II

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte II

Viola de Nóis Produções é pioneira na arte de violar com seus projetos de Orquestras de Violeiros

Shinichi Suzuki (1898-1998) é um nome familiar para os executantes do violino, porém suas contribuições para a música unidas à filosofia servem para todos nós. Uma de suas frases mais conhecidas e propagada diz que: se uma criança ouve boa música desde o dia do seu nascimento e aprende a tocar (…), ela desenvolve a sua sensibilidade, disciplina e tolerância. Ela desenvolve um bom coração. E de bons corações e bons violeiros nossa região está cada vez mais bem servida.

Em Uberlândia, a Viola de Nóis Produções é pioneira no incentivo e desenvolvimento do ouvir e tocar boas músicas por aquela que sempre encanta, a viola caipira. Nos seus 10 anos de atuação, a produtora pode ser orgulhar do seu papel fundamental junto à criação, manutenção e perpetuação das orquestras de violeiros.

Nos tempos de outrora, os ensinamentos de viola eram transmitidos pela oralidade, quase sempre por membros da família ou do círculo de amigos. Nas três últimas décadas o panorama do instrumento foi alterado pelo ensino musical da viola de dez cordas. Escolarizar o ensino de viola significa promover a circularidade do instrumento; fomentar a formação de músicos violeiros e a criação/difusão de técnicas e estilos musicais plurais a partir da viola; bem como diminuir o preconceito contra o instrumento nos meios acadêmicos e urbanos – e as orquestras de violeiros tem grande importância nesse processo.

Os projetos de orquestras conduzidos pela Viola de Nóis Produções tornaram-se um meio de acesso ao instrumento para aqueles que se viam alijados do processo, ou, ainda, para os que não tinham na família uma inspiração. Esses projetos deram profissão para muitos, que hoje são violeiros.

“Eu tocava informalmente, de ouvido, o pouco que sabia aprendi com meus avós e meus tios. Quando entrei na Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira um outro horizonte se abriu. Aprendi o que precisava na teoria e mesmo que sofresse um pouco de preconceito, porque a viola naquela época não era tão popular, fui em frente e percebi que tinha com quem dividir essa paixão”, conta Thácio Cândido, que aos 12 anos entrou na Orquestra e hoje, com 25, é violeiro profissional e tem dupla com Lucas Reis, também ex-integrante da orquestra. “Hoje a viola é uma parte importante de mim. É algo até automático, acordo e quando percebo estou tocando”, conta Thácio.

Tarcísio Manuvéi, produtor, sócio e proprietário da Viola de Nóis, é um dos idealizadores de orquestras de violeiros que atuam ou atuaram em Uberlândia e região nos últimos 15 anos: a Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado (2002-2010), formada por ele e por Roberto Gosuen; a Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira, desenvolvida em parceria com o maestro e professor Ubirajara Silva (2005-2007) e a Orquestra Sertão Violeiro (2014), de Tapuirama, formada em parceria com a Escola Municipal Sebastião Rangel e comunidade, são exemplos. “O reflexo disso a gente vê nas lojas. Antigamente, quando íamos a uma loja de instrumentos havia 1 viola para 20 violões, agora esse número está praticamente equilibrado, uma prova de que movimentamos também a economia”, comenta Tarcísio Manuvéi.

Ele e a Viola de Nóis Produções sempre prezaram por criar orquestras compostas por pessoas que seguissem seus caminhos independentes. Um outro exemplo de grupo é a Orquestra Sesc de Viola. O que era, em 2012, um trabalho sociocultural da produtora em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia-UFU, no Salão Comunitário do Distrito de Cruzeiro dos Peixotos, hoje é belo projeto musical conduzido pelo Sesc que tem até lista de espera para novos alunos. Foi uma semente plantada pela Viola de Nóis que deu um belíssimo fruto.

O maestro Luiz Mazza é aprendiz que virou mestre. “Eu tento proporcionar aos meus alunos algo que não tive no início, antes de participar da Orquestra Viola do Cerrado, onde me tornei profissional. Eles ampliam seus horizontes, porque quando você toca sozinho tende a se prender a um estilo, ao que você gosta. Na orquestra, a convivência com pessoas diferentes leva a experiências diferentes e enriquecedoras para os músicos”, explica o regente e coordenador da Orquestra Sesc de Viola.

Com sua história fincada no rural, no bucólico, a viola está ganhando às universidades, inclusive. A UFU, por exemplo, inaugurou neste segundo semestre de 2017 a disciplina de Viola Caipira em seu Curso de Música – fruto do trabalho do Professor André Campos. Desse jeito esse mundão não tem mesmo fronteira para esses violeiros que são cada vez mais corações e almas da nossa cultura.

Essa realidade talvez fosse impensável há 20 anos, mas, hoje, além de real ela é palpável. Ainda que, muito deva ser feito, a efervescência da viola é notória. São inúmeras pessoas, de diferentes procedências e lugares interessadas em conhecer o instrumento e a cultura que ela representa.

Por Adreana Oliveira produzido para Viola de Nóis Produções.

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