Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte V

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte V

Da roça a rota da Tocha Olímpica: uma história sobre a Catira em Uberlândia

Em tempos de globalização é cada vez mais raro presenciar manifestações genuínas de culturas tradicionais. Na busca por serem “globais” pessoas expõem suas “aldeias” e, os olhos do mundo têm se voltado para os interiores de diferentes cidades, de diferentes países. Em 2016, uma dança típica brasileira do meio rural, fez parte do maior evento esportivo do mundo, as Olimpíadas. Na rota da tocha pelo país, a Catira em Uberlândia foi um dos destaques.

Durante muitos anos a Catira foi um território predominantemente masculino, felizmente as mulheres têm ocupado este espaço. Um dos exemplos foi o grupo de jovens catireiras, Catira Raízes do Sertão, coordenado por Polyana Faria e Débora Cristina, o grupo foi formado em 2012 pelo produtor cultural Tarcísio Manuvéi, a partir de um projeto de extensão realizado numa parceria entre a VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES e Universidade Federal de Uberlândia(UFU).

Raízes do Sertão, foi referência na cidade durante os anos em que esteve em atividade. “Com pinceladas de feminilidade, inspiradas pela simplicidade e rudeza dos ipês dos Cerrados, o grupo semeava as sementes da graciosidade caipira no solo sagrado da nossa cultura e, com orgulho, no cumprimento da missão, esparramaram a tradição”, recorda Polyana. Porque, em Uberlândia a catira era pink e tinha cabelos longos, afirmação da gigante automotiva Nissan, uma das patrocinadoras dos jogos olímpicos. A montadora, através da equipe Vetor, buscou pessoas e projetos de referência no Brasil que dialogassem com a proposta da campanha que daria visibilidade a inciativas “atrevidas”. Não demorou muito para o trabalho desenvolvido com a Catira Raízes do Sertão chamar a atenção da equipe Vetor e, depois de entrevistas e uma maratona de etapas junto ao Comitê Olímpico Brasileiro(COB) os nomes de Tarcísio Manuvéi e Polyana Faria foram aprovados para serem condutores da Tocha Olímpica em sua passagem por Uberlândia.

Foram mais de 1,5 mil histórias “atrevidas” de pessoas que vislumbravam desfilar com o maior símbolo dos Jogos Olímpicos. Com grande alegria, a Catira estava entre as selecionadas: “Rota da Tocha – A Catira em Uberlândia”. Tarcísio e Polyana representavam o Grupo de Catira Raízes do Sertão, cuja a história encantou por sua raiz cultural e pelo trabalho de difusão entre os jovens. Os produtores da Viola de Nóis Produções, conduziram com orgulho a Tocha que rodou o Brasil, movimentando o país em 2016.

Os pesquisadores envolvidos no processo de seleção dos condutores da Tocha enxergaram que devido a dança ser considerada uma das manifestações sociais mais antigas, as danças populares têm um papel fundamental na hora de contar a história de um povo.

OS MESTRES

A catira é cativante. Basta ouvir o recortado da viola e as palmas e batidas dos pés dos catireiros para se emocionar. Em Uberaba (MG), encontramos o senhor Vinícius Teles, ou Vinícius Violeiro, 72 anos, 59 deles dedicados à catira. “É algo que meu avô passou para o meu pai e meu pai, o saudoso Manoel Teles, passou para meus dois irmãos e eu. Danço, canto e até componho para a catira e te digo que é um amor sem tamanho e farei isso até Deus me chamar”, afirmou o simpático e bem-disposto catireiro.

Vinícius Teles é parte da história viva da catira na região do Triângulo Mineiro. No final de setembro perdeu um grande amigo, o senhor Romeu Borges, Mestre de Catira, arte na qual ingressou aos 8 anos de idade, outro que dedicou praticamente uma vida à catira. “Pelo menos fica a lembrança e os ensinamentos de todos que se foram, fazer a festa lá em cima e é muito importante esse pessoal mais novo, preocupado em viajar para longe e ir até para o espaço, ver um pouco do que temos aqui, bem perto, e valorizar isso. A catira é a coisa mais linda que já vi”, disse Vinícius que é professor de catira dos mais procurados da região.

Hoje ele não dança tanto, dedica mais tempo a tocar e compor. Os filhos não herdaram essa paixão do pai. Porém, o senhor Vinícius não se preocupa com isso. “Não adianta forçar só porque é da família. A paixão pela catira parece já nasce com a gente”, comenta ele que formou na juventude o grupo de catira Revelação Uberaba e atualmente segue no grupo criado pelo pai, o Catira Raiz.

Vinícius Violeiro foi ele o primeiro professor do Grupo de Catira Raízes do Sertão. Ele trouxe ao grupo uberlandense iniciante seu inestimável conhecimento. Isso é o que podemos chamar de começar com o pé direito. Cada grupo de catira tem suas particularidades e os ensinamentos de Vinícius Violeiro ajudaram a moldar o Raízes do Sertão. Outro mestre do grupo foi o senhor Romeu Borges, que durante a produção deste texto não estava bem de saúde, e despediu-se desta vida no mês de setembro. Ele, que dividiu o palco com a bailarina brasileira mais conhecida no mundo, Ana Botafogo, trouxe para o grupo uberlandense lições que nenhum livro guarda. Essa convivência foi enriquecida a cada ensaio, a cada apresentação.
Vítima de complicações de uma pneumonia Romeu Borges, ou Seo Romeuzinho, como era carinhosamente chamado por amigos e admiradores, faleceu aos 85 anos e com sua partida a catira perdeu um de seus principais divulgadores.

Seo Romeuzinho, mais do que ninguém, ensinou que a espontaneidade e destreza devem ser sempre valorizadas na catira, em todas as coreografias. Ele foi um dos fundadores da Catira dos Borges, lá em 1940 e enquanto tinha saúde divulgava essa arte onde quer que fosse. Não hesitou em aceitar o convite do “Fantástico” (Globo) para se apresentar no Teatro Municipal do Rio de Janeiro ao lado de Ana Botafogo e novamente angariou novos e milhões de admiradores para a catira.

O Grupo de Catira Raízes do Sertão sempre teve uma admiração explícita por Senhor Romeu e por sua alegria. Ele sempre agraciava o grupo com seus ensinamentos sobre catira e com um sorriso que estará sempre na memória de todos que o conheceram.

E graças a mestres como estes o Grupo de Catira Raízes do Sertão foi longe… chegou na capital paulista para gravar o programa “Viola, Minha Viola”, na TV Cultura, sob o comando da saudosa Inezita Barroso. Foi o único grupo feminino de catira a se apresentar no programa que teve somente mais uma edição com Inezita.

ACOLHIMENTO

Pelo Raízes do Sertão passaram cerca de 15 jovens entre homens e mulheres e um dos destaques foi Debora Cristina, que lembra com carinho dos tempos de Raízes do Sertão. “Foi muito marcante pra mim porque a catira foi algo que descobri sozinha, um interesse meu. Não tenho tradição familiar nessa cultura”, conta ela que começou a dançar catira aos 13 anos, coincidentemente a idade que tinha o senhor Vinícius Teles também no início.
O que mais marcou Débora foi perceber o quanto as famílias de catireiros amam essa arte e muitas vezes a levam adiante em troca de nada. “A catira não é só uma dança de exposição, é uma troca. Antes era dançada para comemorar grandes colheitas, para trocas de alimentos nas fazendas onde às vezes nem se falava a mesma língua mas por meio da catira se entendiam. Até hoje temos grandes mestres para reverenciar aqui”, disse ela que lembra ainda como aprendeu com Wosley Torquato, representante de três grupos de catira na região. “Ele e todos do grupo me receberam muito bem, me senti como se fosse da família”, recorda.

Wosley Torquato e o Grupo Catira Tradição de Minas também foram peças fundamentais para a bela trajetória do Raízes do Sertão. Mestre Torquato é um admirador do trabalho da Viola de Nóis na divulgação e preservação da cultura caipira, mas esse assunto é para um outra hora…

De pai para filho ou não, a catira persiste e segue seu caminho divulgando cada vez mais a cultura caipira.

Por Adreana Oliveira, Ilustração por Alexandre França produzido para Viola de Nóis Produções.

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Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte IV

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte IV

 

 

Encontro de Violeiros comprova força da viola em Uberlândia

Um evento que de tão tradicional e representativo ganhou lugar no calendário oficial do município de Uberlândia. Assim é o Encontro de Violeiros, que começou modesto, na Oficina Cultural, no tradicional bairro Fundinho, em 2003 e, cresceu, sem pressa, sem atropelos, até chegar ao palco do Teatro Municipal da cidade em sua 14ª edição. É algo a mais para a VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES se orgulhar neste décimo ano de atividades, celebrados com esta série de postagens que chega ao seu quarto capítulo.

Desde o início o intuito de Tarcísio Manuvéi foi disseminar a importância da música caipira em Uberlândia, aproximar os violeiros da cidade e possibilitar um ambiente de trocas. A repercussão dos primeiros anos foi tão boa que o Encontro de Violeiros tornou-se evento oficial do município a partir de 2009, sancionado pela Lei 10.095 de 15 de janeiro de autoria do então Vereador Misac Lacerda. Iniciativa de Manuvéi, que logo vislumbrou novas possibilidades para o evento.

A Viola de Nóis Produções esteve à frente do Encontro de Violeiros até a nona edição. Um evento sociocultural que agora mobiliza violeiros de todo o Brasil ganhou a produção de um grande parceiro da produtora, o Sesc em Minas Gerais, os responsáveis pelo evento a partir da décima edição, tendo como curadora das edições 10, 11 e 12 a Viola de Nóis, tanto know-how tinha que ser aproveitado.

A unidade do Sesc abrigou o evento até a nona edição e, no aniversário de 10 anos, o Encontro de Violeiros chegou ao palco mais cobiçado de Uberlândia: o do Teatro Municipal. O prédio projetado pelo saudoso Oscar Niemeyer – que recebia em seu palco interno monstros sagrados do teatro brasileiro e na área externa espetáculos de renomados grupos nacionais além de skatistas e famílias inteiras que têm naquele espaço momentos de lazer e prática de esportes – rendia-se ao som da viola caipira. Memorável!

Desde então esse passou a ser o lugar do Encontro de Violeiros – exceto pela edição 12, que graças ao grande público, foi realizada no Parque do Sabiá.

Entre ídolos e fãs

No último 27 de agosto, em sua 14ª edição e com ingressos esgotados, o Municipal recebeu novamente o Encontro de Violeiros. Se apresentaram a Orquestra Sesc de Viola, Arnaldo Freitas e Tarcísio Manuvéi. A noite foi coroada com a participação da dupla Zé Mulato & Cassiano. Os irmãos mineiros que começaram a carreira em 1969 não poderiam estar em melhor fase. Em julho, foram agraciados com o Prêmio Música Brasileira como melhor dupla regional do Brasil.

Neste 14º Encontro de Violeiros estava presente o jovem José Mauro. No mês em que completa 21 anos, com mais de 10 dedicados à viola, ele se recorda das primeiras apresentações no evento, que para ele começaram em 2009. “Participei em dupla com minha irmã, Polyana, com o Tarcísio Manuvéi e na Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira e pra mim já está enraizado, não tem como faltar”, diz José Mauro.

Ele recorda que um dos momentos mais marcantes que o Encontro de Violeiros lhe proporcionou foi a primeira vez em que esteve frente a frente com Zé Mulato & Cassiano hoje, amigos seu. “Era novidade para nós, e eu ainda tinha meu avô do meu lado, muito fã deles. Nos receberam tão bem que eu mal podia acreditar e hoje posso dizer que a amizade cresceu”, recorda o violeiro que perdeu o avô, senhor José Ferreira, no ano passado e por isso esse momento é tão significativo para ele.

E eis que o menino foi de fã a ídolo também em um Encontro de Violeiros de Uberlândia. “Foi quando dei meu primeiro autógrafo… comentei com a Polyana que estávamos parecendo artista grande”, brinca o modesto músico. Afinal, todo artista tem sua natural grandeza.

Por essas e por outras é que além de fomentar a arte da viola em Uberlândia Tarcísio Manuvéi e a Viola de Nóis Produções proporcionam vivências inesquecíveis para quem abre os olhos e os ouvidos para a musa dos sertanejos. E quem ganha, é o público.

Para ter uma ideia da grandeza do projeto, basta ver os nomes de quem já passou por ele. Além dos já citados tivemos Inezita BarrosoPena Branca,Tinoco, Almir SaterSérgio ReisRenato TeixeiraBruna ViolaFernando SodréVioleiro Chico Lobo Chico LoboPereira da V iolaJuliana AndradeLuiz Salgado, Téo Azevedo, Alexandre Saad e João Araújo. Duplas como CACIQUE & PAJÉPedro Bento e Zé da EstradaIrmãs BarbosaMarcos Violeiro e Cleiton TorresLucas Reis e Thacio e grupos como Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado, Violeiros Matuto e Trem das Gerais.

Além do som da viola, a cultura sertaneja foi celebrada com shows de dança catira, contação de causos, apresentações teatrais, palestras e oficinas oferecidas no circuito da viola mais orgânico e acolhedor de Uberlândia. Vida longa ao Encontro de Violeiros, à Viola de Nóis e aos muitos “causos” que virão de suas trajetórias.

Por Adreana Oliveira, Ilustração por Alexandre França produzido para Viola de Nóis Produções.

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Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte III

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte III

A magia da viola no picadeiro

Quando as primeiras duplas caipiras surgiram elas tinham um lugar muito particular onde se apresentavam: o picadeiro do circo. Em uma época sem internet ou redes sociais a itinerância do circo proporcionava às duplas um espaço democrático para mostrarem seu trabalho e serem reconhecidas. Afinal, o mercado tradicional não oferecia essa possibilidade. Nesses 10 anos da Viola de Nóis Produções, um de seus projetos mais memoráveis prestou homenagem e resgatou essa época tão rica. Respeitável público, como vocês um pouquinho da história da turnê: “A viola no picadeiro”.

A turnê reuniu artistas da música, do teatro e da dança e trouxe à tona a importância da grande lona para a música caipira. Tarcísio Manuvéi foi um dos idealizadores e mestre de cerimônia desse espetáculo plural que completa em 2017 também 10 anos, assim como a produtora Viola de Nóis. A relação da produtora com grandes nomes da música caipira foi fortalecida na época, por meio do projeto. No vídeo produzido em dezembro de 2007 para o Programa “Café com Cultura” o saudoso Tinoco falava emocionado sobre sua participação na turnê e sobre a importância do circo para a dupla Tonico & Tinoco.

Assista ao vídeo:

Em conversa com Manuvéi, que celebrava a participação do ídolo, Tinoco contou que na época os palhaços não eram suficientes para entreter público e afirmou que a dupla fez mais de 30 peças teatrais caipiras voltadas para o circo. Tinoco declarou ainda sua satisfação por fazer parte da turnê: estou muito contente e muito à vontade aqui no picadeiro do Tarcísio. Ele também lembrou que eles foram pioneiros no picadeiro que depois ajudou a divulgar as músicas de Tião Carreiro & Pardinho, Xavante & Xavantinho, que depois virou Pena Branca & Xavantinho, entre outros. Na ocasião, já no palco em uma das paradas da turnê, Tinoco falava dos 87 anos recém completados. “Quem vive alegre como eu, vive mais. Quem trabalha com amor vai viver muito mais, se fechar a cara sobe logo lá pra cima”, brincou.

O sniper caipira

O espetáculo “A viola no picadeiro” tinha, claro, muita moda de viola, catira e intervenções teatrais com muitos causos contados por atores do Grupontapé de Teatro e atores como o simpático e competente Deivid Osborges, que entre outros personagens participou da dupla “As Goianinhas do Acre” e mais recentemente deu vida ao super herói “Remela”. “Participar da turnê “Viola no Picadeiro” foi uma fase muito boa para as Goianinhas, porque conseguimos experimentar o humor da dupla, que já se apresentava há algum tempo pela região, em locais por onde nem sonhávamos em aparecer. Além disso, estávamos ao lado de figuras muito importantes da música caipira. Foi gratificante para o nosso trabalho”, disse o ator e humorista.
Ele conta que foi uma oportunidade ímpar para a dupla. Algo que marcou Deivid nessa turnê foi conhecer Pena Branca. E o artista comparou o violeiro a um sniper, palavra em inglês para designar um atirador de elite. Quem diria, um sniper caipira… “Além de ele ser um grande artista, o Pena Branca era uma figura muito engraçada. Sabe aquele cara que observa tudo, fica caladinho e quando você menos espera ele “pah” … solta um comentário muito engraçado e muito pertinente. Foi um cara muito legal de conhecer, passar alguns dias na estrada com ele foi genial”, disse Deivid.
Genial mesmo esse Pena Branca, genial também foi Inezita Barroso – a rainha da viola – apresentadora do “Viola, Minha Viola” – que além de ter surgido no cenário circense também participou com muito gosto da turnê promovida pela Viola de Nóis.  A gente espera que eles estejam curtindo essas lembranças lá de cima junto a outros imortais da cultura caipira brasileira.

Sempre mais

Do lado de cá, outros militantes da viola caipira continuam perpetuando esta arte como o violeiro, cantador e compositor mineiro Luiz Salgado, que também integrou a turnê “A viola no picadeiro”. Até hoje um estudioso e produtor de música de viola, ele vê mérito no projeto por trazer à tona algo que está cada vez mais esquecido. “Muitos artistas caipiras começaram no circo e essa arte está se perdendo. Muita coisa mudou e nem tudo para melhor. Os grandes shows e festivais se transformaram, mas megaestrutura nenhuma substitui o talento”, diz o violeiro que fala também da mudança do público. “Chega a ser assustador”. Para Luiz Salgado é fundamental valorizar a história da música caipira, que não pode ser esquecida. “Por exemplo, nos Estados Unidos muitos dos pioneiros do blues já se foram e por aqui temos ainda muitos mestres pioneiros da viola bem e lúcidos. Precisamos ouvir suas histórias aprender com eles, pegar a informação, o aprendizado direto na fonte”, afirma. Com 20 anos de carreira Luiz Salgado afirma que uma segunda edição da turnê seria muito bem-vinda. E acreditamos que o público também se junta ao coro do bis.

Itinerância

Além de Tinoco,Pena Branca, Inezita BarrosoTarcísio Manuvéi & Grupo Viola de Nóis, Luiz Salgado e Grupontapé de Teatro, participaram também da turnê “A viola no picadeiro”, grandes nomes da viola caipira como Marcos Violeiro e Cleiton TorresAlexandre Guti Saad & Grupo Cheiro de Mato, Catira dos Borges, Zé Doradin e Riberão e a extinta Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado. O projeto aconteceu com os incentivos da Lei Rouanet e do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o patrocínio do Martins, Iamar Instituto Alair MartinsTribanco, Grupo São Martinho, Acesita Energética e a realização da Viola de Nóis Produções. A turnê passou pelas cidades mineiras de CapelinhaItamarandibaMinas Novas MGTimóteoUberaba e Uberlândia. Os estados de Goiás e Paraná tiveram as cidades de Itumbiara-GO e Maringá contempladas.

“A viola no picadeiro” contabilizou um público de 20 mil pessoas que assistiram a um espetáculo múltiplo que valorizou e difundiu a cultura caipira. Essa turnê deixou saudade…e um gostinho de quero mais.

Por Adreana Oliveira, Charge Ronaldo Prado produzido para Viola de Nóis Produções.

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Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte II

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte II

Viola de Nóis Produções é pioneira na arte de violar com seus projetos de Orquestras de Violeiros

Shinichi Suzuki (1898-1998) é um nome familiar para os executantes do violino, porém suas contribuições para a música unidas à filosofia servem para todos nós. Uma de suas frases mais conhecidas e propagada diz que: se uma criança ouve boa música desde o dia do seu nascimento e aprende a tocar (…), ela desenvolve a sua sensibilidade, disciplina e tolerância. Ela desenvolve um bom coração. E de bons corações e bons violeiros nossa região está cada vez mais bem servida.

Em Uberlândia, a Viola de Nóis Produções é pioneira no incentivo e desenvolvimento do ouvir e tocar boas músicas por aquela que sempre encanta, a viola caipira. Nos seus 10 anos de atuação, a produtora pode ser orgulhar do seu papel fundamental junto à criação, manutenção e perpetuação das orquestras de violeiros.

Nos tempos de outrora, os ensinamentos de viola eram transmitidos pela oralidade, quase sempre por membros da família ou do círculo de amigos. Nas três últimas décadas o panorama do instrumento foi alterado pelo ensino musical da viola de dez cordas. Escolarizar o ensino de viola significa promover a circularidade do instrumento; fomentar a formação de músicos violeiros e a criação/difusão de técnicas e estilos musicais plurais a partir da viola; bem como diminuir o preconceito contra o instrumento nos meios acadêmicos e urbanos – e as orquestras de violeiros tem grande importância nesse processo.

Os projetos de orquestras conduzidos pela Viola de Nóis Produções tornaram-se um meio de acesso ao instrumento para aqueles que se viam alijados do processo, ou, ainda, para os que não tinham na família uma inspiração. Esses projetos deram profissão para muitos, que hoje são violeiros.

“Eu tocava informalmente, de ouvido, o pouco que sabia aprendi com meus avós e meus tios. Quando entrei na Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira um outro horizonte se abriu. Aprendi o que precisava na teoria e mesmo que sofresse um pouco de preconceito, porque a viola naquela época não era tão popular, fui em frente e percebi que tinha com quem dividir essa paixão”, conta Thácio Cândido, que aos 12 anos entrou na Orquestra e hoje, com 25, é violeiro profissional e tem dupla com Lucas Reis, também ex-integrante da orquestra. “Hoje a viola é uma parte importante de mim. É algo até automático, acordo e quando percebo estou tocando”, conta Thácio.

Tarcísio Manuvéi, produtor, sócio e proprietário da Viola de Nóis, é um dos idealizadores de orquestras de violeiros que atuam ou atuaram em Uberlândia e região nos últimos 15 anos: a Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado (2002-2010), formada por ele e por Roberto Gosuen; a Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira, desenvolvida em parceria com o maestro e professor Ubirajara Silva (2005-2007) e a Orquestra Sertão Violeiro (2014), de Tapuirama, formada em parceria com a Escola Municipal Sebastião Rangel e comunidade, são exemplos. “O reflexo disso a gente vê nas lojas. Antigamente, quando íamos a uma loja de instrumentos havia 1 viola para 20 violões, agora esse número está praticamente equilibrado, uma prova de que movimentamos também a economia”, comenta Tarcísio Manuvéi.

Ele e a Viola de Nóis Produções sempre prezaram por criar orquestras compostas por pessoas que seguissem seus caminhos independentes. Um outro exemplo de grupo é a Orquestra Sesc de Viola. O que era, em 2012, um trabalho sociocultural da produtora em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia-UFU, no Salão Comunitário do Distrito de Cruzeiro dos Peixotos, hoje é belo projeto musical conduzido pelo Sesc que tem até lista de espera para novos alunos. Foi uma semente plantada pela Viola de Nóis que deu um belíssimo fruto.

O maestro Luiz Mazza é aprendiz que virou mestre. “Eu tento proporcionar aos meus alunos algo que não tive no início, antes de participar da Orquestra Viola do Cerrado, onde me tornei profissional. Eles ampliam seus horizontes, porque quando você toca sozinho tende a se prender a um estilo, ao que você gosta. Na orquestra, a convivência com pessoas diferentes leva a experiências diferentes e enriquecedoras para os músicos”, explica o regente e coordenador da Orquestra Sesc de Viola.

Com sua história fincada no rural, no bucólico, a viola está ganhando às universidades, inclusive. A UFU, por exemplo, inaugurou neste segundo semestre de 2017 a disciplina de Viola Caipira em seu Curso de Música – fruto do trabalho do Professor André Campos. Desse jeito esse mundão não tem mesmo fronteira para esses violeiros que são cada vez mais corações e almas da nossa cultura.

Essa realidade talvez fosse impensável há 20 anos, mas, hoje, além de real ela é palpável. Ainda que, muito deva ser feito, a efervescência da viola é notória. São inúmeras pessoas, de diferentes procedências e lugares interessadas em conhecer o instrumento e a cultura que ela representa.

Por Adreana Oliveira produzido para Viola de Nóis Produções.

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Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte I

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte I

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte I

A viola nossa de cada dia

Ela é a extensão dos braços daqueles que a utilizam como ferramenta para contar e cantar. Uma peça digna de museu, mas que não foi feita para ser somente admirada em uma parede ou guardada em uma caixa de vidro. A viola que conhecemos só tem o significado que tem por causa daqueles que lhe rendem devoção.

A viola nos braços de quem a toca vira interlocutora de alegrias, mistérios, sonhos e novas possibilidades. Já encostada em um canto, abandonada, sozinha, respira em seu bojo uma canção cheia de lamentos e incertezas. E, se a canção faz chorar, não tem problema, pois cada um tem sua verdade. Como instrumento completo que é, só o som que sai de suas cordas já preenche qualquer vazio, transformando tudo numa saudade que nem mesmo sabemos do que, ficando a critério do ouvinte narrar sua própria história e sentimentos.

Em junho, a Viola de Nóis Produções completa dez anos do que chamamos de suas atividades formais, porque, em nome desse ícone da cultura brasileira, seus componentes já trabalham, como diria o mineiro: faiz um tempão, sô!

Por aqui trabalho e prazer se misturam. Somos pessoas de sorte, porque nem todo homem consegue trabalhar com o que ama, com o objeto de sua devoção, como fazemos nessa produtora que se configura como nossa segunda família.

E essa família só cresce. A cada mês, a cada ano, mais admiradores, mais bravos defensores da música de viola chegam para somar e, principalmente, para mostrar que este som tão único, que cada violeiro tira de sua musa, não tem fronteira.

Aqui, só existimos por ela. Por isso, uma festa de 10 anos não é o bastante. Resolvemos dividir um pouco da nossa história com vocês ao longo deste segundo semestre de 2017. E, contar essa história nada mais é do que nossa forma de homenagear a viola verde e amarela que a cada dia ganha mais espaço nos palcos do Brasil e do mundo.

Preparem-se para viajar com a viola… A viola de TODOS NÓS. Afinal, esse instrumento que ganhou contornos tão nossos, pode imortalizar seu condutor com os acordes certos nos momentos mais simples e valiosos de nossas vidas.

E a viola é assim, toca quem a toca…. Mas toca muito mais quem a ouve…

Por Adreana Oliveira produzido para Viola de Nóis Produções.

Todos os direitos reservados

Agradecemos a Deus por nos permitir realizar nossos sonhos por meio da Viola de Nóis Produções. Agradecemos a todos os profissionais envolvidos na realização deste trabalho, em especial ao violeiro Arnaldo Freitas pela parceria e pela viola que nos emociona sempre, à Penumbra Filmes por mais esta produção, à Érica Montero pela bela locução,  à Vila das Artes pelo cenário, à Sra. Mônica Debs e todos os funcionários do Teatro Municipal de Uberlândia pela cessão do espaço e a toda equipe da Viola de Nóis Produções: Morleno, Paula, Valéria e Marlon nosso MUITO OBRIGADO.

Polyana Faria e Tarcísio Manuvéi

Curiosidade: A viola utilizada pelo violeiro Arnaldo Freitas na gravação deste vídeo pertenceu ao ícone da música caipira Pena Branca (da dupla Pena Branca e Xavantinho), pessoa por nós querida e admirada. Esse belo instrumento foi capa do disco “Coração Matuto” da dupla Pena Branca e Xavantinho

Arnaldo Freitas & Tarcísio Manuvéi lançam Show Atemporal em Uberlândia dia 16 de junho

Arnaldo Freitas & Tarcísio Manuvéi lançam Show Atemporal em Uberlândia dia 16 de junho

Arnaldo Freitas & Tarcísio Manuvéi lançam em Uberlândia o Show Atemporal. Nele os artistas experimentam novas estéticas para canções já consagradas. O tradicional e o contemporâneo, o clássico e a vanguarda, o comportado e o divertido, ambos convergindo numa dualidade que vira coerência a partir dos arranjos criativos de um repertório altamente sofisticado, intimista, alegre e inventivo. O Show Atemporal foi arranjado para a voz e viola caipira de Arnaldo Freitas junto à voz e violão de Tarcísio Manuvéi, com intuito de que as músicas sejam não só ouvidas, mas também sentidas pelo público.

QUANDO? Dia 16 de junho de 2017 – sexta-feira.

HORÁRIO? Show: 20h30min. O Restaurante Terra Brasílis abrirá às 19 h para receber o público.

QUANTO? R$20. Preço único.

CARDÁPIO? Caldos: frango, feijão e vaca atolada. Aperitivos: bolinho de tilápia, pastéis de carne e de queijo, bolinho de arroz, mini maia, mandioca cremosa e mix de frios. Bebidas: cervejas artesanais, vinho, sucos e refrigerantes. Bebidas e Comidas serão cobradas à parte.
VENDAS
Terra Brasilis Restaurante End.: Praça Sebastião José Naves, 26, Copacabana
Tel.: 34 3236-1062
Horário de funcionamento: das 11 às 14:15 horas.

Arnaldo Freitas lança turnê “Aguas del Plata” na Argentina e Uruguai

Arnaldo Freitas lança turnê “Aguas del Plata” na Argentina e Uruguai

Arnaldo Freitas é compositor e instrumentista de viola caipira. Com sua técnica apurada e interpretação emocionante, é considerado um dos principais violeiros da nova safra da música instrumental brasileira. Em março de 2017, Arnaldo Freitas lançou seu segundo CD “Olhos de Maria” em homenagem a sua filha Maria Luiza. Com contextos harmônicos explorados com suavidade e total espontaneidade, o álbum expõe a identidade do instrumentista. “Os Olhos de Maria”, em sua maioria autoral, é expressão musical inusitada e contemporânea, o disco alça voos para além da tradição da música de raiz, abarca outros temas musicais, abre-se para outras possibilidades, novas possibilidades para viola caipira.

Com a turnê “AGUAS DEL PLATA”, Arnaldo Freitas apresenta seu álbum “Os Olhos de Maria” na Argentina e  no Uruguai, visitando Buenos Aires, La Plata e Montevidéu, para compartilhar seu trabalho em vários shows,,alguns com convidados especiais como Dastin Ghersi e Copla Alta, bem como sua experiência através de workshops.

Mais informações:  www.arnaldofreitas.com.br

Oportunidade de Estágio

Oportunidade de Estágio

A Viola de Nóis Produções junto a Pró-reitoria de Extensão e Cultura da Universidade Federal de Uberlândia – PROEXC/UFU, abre vagas para assistente de produção de eventos e projetos culturais, para atuar no projeto MIL VIOLAS. As vagas são destinadas a alunos da UFU dos cursos das áreas de Artes, Comunicação, Gestão, Informação e Negócios, que devem estar matriculados e cursando a partir do 4º período. O candidato precisa ter disponibilidade das 09 às 13 h e/ou das 14 às 18 h, ser criativo, flexível, proativo, comunicativo e ter facilidade para lidar com o público interno e externo da UFU. Ter domínio em informática (Office – Word e Excel, Internet) e que se tenha conhecimento intermediário em Corel Draw e Gestão de Redes Sociais. Não é necessário ter experiência em produção cultural.

As Inscrições vão até o dia 19 de Junho de 2017 através do Edital: http://www.editais.ufu.br/node/3783