Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte II

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte II

Viola de Nóis Produções é pioneira na arte de violar com seus projetos de Orquestras de Violeiros

Shinichi Suzuki (1898-1998) é um nome familiar para os executantes do violino, porém suas contribuições para a música unidas à filosofia servem para todos nós. Uma de suas frases mais conhecidas e propagada diz que: se uma criança ouve boa música desde o dia do seu nascimento e aprende a tocar (…), ela desenvolve a sua sensibilidade, disciplina e tolerância. Ela desenvolve um bom coração. E de bons corações e bons violeiros nossa região está cada vez mais bem servida.

Em Uberlândia, a Viola de Nóis Produções é pioneira no incentivo e desenvolvimento do ouvir e tocar boas músicas por aquela que sempre encanta, a viola caipira. Nos seus 10 anos de atuação, a produtora pode ser orgulhar do seu papel fundamental junto à criação, manutenção e perpetuação das orquestras de violeiros.

Nos tempos de outrora, os ensinamentos de viola eram transmitidos pela oralidade, quase sempre por membros da família ou do círculo de amigos. Nas três últimas décadas o panorama do instrumento foi alterado pelo ensino musical da viola de dez cordas. Escolarizar o ensino de viola significa promover a circularidade do instrumento; fomentar a formação de músicos violeiros e a criação/difusão de técnicas e estilos musicais plurais a partir da viola; bem como diminuir o preconceito contra o instrumento nos meios acadêmicos e urbanos – e as orquestras de violeiros tem grande importância nesse processo.

Os projetos de orquestras conduzidos pela Viola de Nóis Produções tornaram-se um meio de acesso ao instrumento para aqueles que se viam alijados do processo, ou, ainda, para os que não tinham na família uma inspiração. Esses projetos deram profissão para muitos, que hoje são violeiros.

“Eu tocava informalmente, de ouvido, o pouco que sabia aprendi com meus avós e meus tios. Quando entrei na Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira um outro horizonte se abriu. Aprendi o que precisava na teoria e mesmo que sofresse um pouco de preconceito, porque a viola naquela época não era tão popular, fui em frente e percebi que tinha com quem dividir essa paixão”, conta Thácio Cândido, que aos 12 anos entrou na Orquestra e hoje, com 25, é violeiro profissional e tem dupla com Lucas Reis, também ex-integrante da orquestra. “Hoje a viola é uma parte importante de mim. É algo até automático, acordo e quando percebo estou tocando”, conta Thácio.

Tarcísio Manuvéi, produtor, sócio e proprietário da Viola de Nóis, é um dos idealizadores de orquestras de violeiros que atuam ou atuaram em Uberlândia e região nos últimos 15 anos: a Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado (2002-2010), formada por ele e por Roberto Gosuen; a Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira, desenvolvida em parceria com o maestro e professor Ubirajara Silva (2005-2007) e a Orquestra Sertão Violeiro (2014), de Tapuirama, formada em parceria com a Escola Municipal Sebastião Rangel e comunidade, são exemplos. “O reflexo disso a gente vê nas lojas. Antigamente, quando íamos a uma loja de instrumentos havia 1 viola para 20 violões, agora esse número está praticamente equilibrado, uma prova de que movimentamos também a economia”, comenta Tarcísio Manuvéi.

Ele e a Viola de Nóis Produções sempre prezaram por criar orquestras compostas por pessoas que seguissem seus caminhos independentes. Um outro exemplo de grupo é a Orquestra Sesc de Viola. O que era, em 2012, um trabalho sociocultural da produtora em parceria com a Universidade Federal de Uberlândia-UFU, no Salão Comunitário do Distrito de Cruzeiro dos Peixotos, hoje é belo projeto musical conduzido pelo Sesc que tem até lista de espera para novos alunos. Foi uma semente plantada pela Viola de Nóis que deu um belíssimo fruto.

O maestro Luiz Mazza é aprendiz que virou mestre. “Eu tento proporcionar aos meus alunos algo que não tive no início, antes de participar da Orquestra Viola do Cerrado, onde me tornei profissional. Eles ampliam seus horizontes, porque quando você toca sozinho tende a se prender a um estilo, ao que você gosta. Na orquestra, a convivência com pessoas diferentes leva a experiências diferentes e enriquecedoras para os músicos”, explica o regente e coordenador da Orquestra Sesc de Viola.

Com sua história fincada no rural, no bucólico, a viola está ganhando às universidades, inclusive. A UFU, por exemplo, inaugurou neste segundo semestre de 2017 a disciplina de Viola Caipira em seu Curso de Música – fruto do trabalho do Professor André Campos. Desse jeito esse mundão não tem mesmo fronteira para esses violeiros que são cada vez mais corações e almas da nossa cultura.

Essa realidade talvez fosse impensável há 20 anos, mas, hoje, além de real ela é palpável. Ainda que, muito deva ser feito, a efervescência da viola é notória. São inúmeras pessoas, de diferentes procedências e lugares interessadas em conhecer o instrumento e a cultura que ela representa.

Por Adreana Oliveira produzido para Viola de Nóis Produções.

Todos os direitos reservados

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *