Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte III

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte III

A magia da viola no picadeiro

Quando as primeiras duplas caipiras surgiram elas tinham um lugar muito particular onde se apresentavam: o picadeiro do circo. Em uma época sem internet ou redes sociais a itinerância do circo proporcionava às duplas um espaço democrático para mostrarem seu trabalho e serem reconhecidas. Afinal, o mercado tradicional não oferecia essa possibilidade. Nesses 10 anos da Viola de Nóis Produções, um de seus projetos mais memoráveis prestou homenagem e resgatou essa época tão rica. Respeitável público, como vocês um pouquinho da história da turnê: “A viola no picadeiro”.

A turnê reuniu artistas da música, do teatro e da dança e trouxe à tona a importância da grande lona para a música caipira. Tarcísio Manuvéi foi um dos idealizadores e mestre de cerimônia desse espetáculo plural que completa em 2017 também 10 anos, assim como a produtora Viola de Nóis. A relação da produtora com grandes nomes da música caipira foi fortalecida na época, por meio do projeto. No vídeo produzido em dezembro de 2007 para o Programa “Café com Cultura” o saudoso Tinoco falava emocionado sobre sua participação na turnê e sobre a importância do circo para a dupla Tonico & Tinoco.

Assista ao vídeo:

Em conversa com Manuvéi, que celebrava a participação do ídolo, Tinoco contou que na época os palhaços não eram suficientes para entreter público e afirmou que a dupla fez mais de 30 peças teatrais caipiras voltadas para o circo. Tinoco declarou ainda sua satisfação por fazer parte da turnê: estou muito contente e muito à vontade aqui no picadeiro do Tarcísio. Ele também lembrou que eles foram pioneiros no picadeiro que depois ajudou a divulgar as músicas de Tião Carreiro & Pardinho, Xavante & Xavantinho, que depois virou Pena Branca & Xavantinho, entre outros. Na ocasião, já no palco em uma das paradas da turnê, Tinoco falava dos 87 anos recém completados. “Quem vive alegre como eu, vive mais. Quem trabalha com amor vai viver muito mais, se fechar a cara sobe logo lá pra cima”, brincou.

O sniper caipira

O espetáculo “A viola no picadeiro” tinha, claro, muita moda de viola, catira e intervenções teatrais com muitos causos contados por atores do Grupontapé de Teatro e atores como o simpático e competente Deivid Osborges, que entre outros personagens participou da dupla “As Goianinhas do Acre” e mais recentemente deu vida ao super herói “Remela”. “Participar da turnê “Viola no Picadeiro” foi uma fase muito boa para as Goianinhas, porque conseguimos experimentar o humor da dupla, que já se apresentava há algum tempo pela região, em locais por onde nem sonhávamos em aparecer. Além disso, estávamos ao lado de figuras muito importantes da música caipira. Foi gratificante para o nosso trabalho”, disse o ator e humorista.
Ele conta que foi uma oportunidade ímpar para a dupla. Algo que marcou Deivid nessa turnê foi conhecer Pena Branca. E o artista comparou o violeiro a um sniper, palavra em inglês para designar um atirador de elite. Quem diria, um sniper caipira… “Além de ele ser um grande artista, o Pena Branca era uma figura muito engraçada. Sabe aquele cara que observa tudo, fica caladinho e quando você menos espera ele “pah” … solta um comentário muito engraçado e muito pertinente. Foi um cara muito legal de conhecer, passar alguns dias na estrada com ele foi genial”, disse Deivid.
Genial mesmo esse Pena Branca, genial também foi Inezita Barroso – a rainha da viola – apresentadora do “Viola, Minha Viola” – que além de ter surgido no cenário circense também participou com muito gosto da turnê promovida pela Viola de Nóis.  A gente espera que eles estejam curtindo essas lembranças lá de cima junto a outros imortais da cultura caipira brasileira.

Sempre mais

Do lado de cá, outros militantes da viola caipira continuam perpetuando esta arte como o violeiro, cantador e compositor mineiro Luiz Salgado, que também integrou a turnê “A viola no picadeiro”. Até hoje um estudioso e produtor de música de viola, ele vê mérito no projeto por trazer à tona algo que está cada vez mais esquecido. “Muitos artistas caipiras começaram no circo e essa arte está se perdendo. Muita coisa mudou e nem tudo para melhor. Os grandes shows e festivais se transformaram, mas megaestrutura nenhuma substitui o talento”, diz o violeiro que fala também da mudança do público. “Chega a ser assustador”. Para Luiz Salgado é fundamental valorizar a história da música caipira, que não pode ser esquecida. “Por exemplo, nos Estados Unidos muitos dos pioneiros do blues já se foram e por aqui temos ainda muitos mestres pioneiros da viola bem e lúcidos. Precisamos ouvir suas histórias aprender com eles, pegar a informação, o aprendizado direto na fonte”, afirma. Com 20 anos de carreira Luiz Salgado afirma que uma segunda edição da turnê seria muito bem-vinda. E acreditamos que o público também se junta ao coro do bis.

Itinerância

Além de Tinoco,Pena Branca, Inezita BarrosoTarcísio Manuvéi & Grupo Viola de Nóis, Luiz Salgado e Grupontapé de Teatro, participaram também da turnê “A viola no picadeiro”, grandes nomes da viola caipira como Marcos Violeiro e Cleiton TorresAlexandre Guti Saad & Grupo Cheiro de Mato, Catira dos Borges, Zé Doradin e Riberão e a extinta Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado. O projeto aconteceu com os incentivos da Lei Rouanet e do Programa Municipal de Incentivo à Cultura, o patrocínio do Martins, Iamar Instituto Alair MartinsTribanco, Grupo São Martinho, Acesita Energética e a realização da Viola de Nóis Produções. A turnê passou pelas cidades mineiras de CapelinhaItamarandibaMinas Novas MGTimóteoUberaba e Uberlândia. Os estados de Goiás e Paraná tiveram as cidades de Itumbiara-GO e Maringá contempladas.

“A viola no picadeiro” contabilizou um público de 20 mil pessoas que assistiram a um espetáculo múltiplo que valorizou e difundiu a cultura caipira. Essa turnê deixou saudade…e um gostinho de quero mais.

Por Adreana Oliveira, Charge Ronaldo Prado produzido para Viola de Nóis Produções.

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