Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte IV

Viola de Nóis Produções 10 anos – Parte IV

 

 

Encontro de Violeiros comprova força da viola em Uberlândia

Um evento que de tão tradicional e representativo ganhou lugar no calendário oficial do município de Uberlândia. Assim é o Encontro de Violeiros, que começou modesto, na Oficina Cultural, no tradicional bairro Fundinho, em 2003 e, cresceu, sem pressa, sem atropelos, até chegar ao palco do Teatro Municipal da cidade em sua 14ª edição. É algo a mais para a VIOLA DE NÓIS PRODUÇÕES se orgulhar neste décimo ano de atividades, celebrados com esta série de postagens que chega ao seu quarto capítulo.

Desde o início o intuito de Tarcísio Manuvéi foi disseminar a importância da música caipira em Uberlândia, aproximar os violeiros da cidade e possibilitar um ambiente de trocas. A repercussão dos primeiros anos foi tão boa que o Encontro de Violeiros tornou-se evento oficial do município a partir de 2009, sancionado pela Lei 10.095 de 15 de janeiro de autoria do então Vereador Misac Lacerda. Iniciativa de Manuvéi, que logo vislumbrou novas possibilidades para o evento.

A Viola de Nóis Produções esteve à frente do Encontro de Violeiros até a nona edição. Um evento sociocultural que agora mobiliza violeiros de todo o Brasil ganhou a produção de um grande parceiro da produtora, o Sesc em Minas Gerais, os responsáveis pelo evento a partir da décima edição, tendo como curadora das edições 10, 11 e 12 a Viola de Nóis, tanto know-how tinha que ser aproveitado.

A unidade do Sesc abrigou o evento até a nona edição e, no aniversário de 10 anos, o Encontro de Violeiros chegou ao palco mais cobiçado de Uberlândia: o do Teatro Municipal. O prédio projetado pelo saudoso Oscar Niemeyer – que recebia em seu palco interno monstros sagrados do teatro brasileiro e na área externa espetáculos de renomados grupos nacionais além de skatistas e famílias inteiras que têm naquele espaço momentos de lazer e prática de esportes – rendia-se ao som da viola caipira. Memorável!

Desde então esse passou a ser o lugar do Encontro de Violeiros – exceto pela edição 12, que graças ao grande público, foi realizada no Parque do Sabiá.

Entre ídolos e fãs

No último 27 de agosto, em sua 14ª edição e com ingressos esgotados, o Municipal recebeu novamente o Encontro de Violeiros. Se apresentaram a Orquestra Sesc de Viola, Arnaldo Freitas e Tarcísio Manuvéi. A noite foi coroada com a participação da dupla Zé Mulato & Cassiano. Os irmãos mineiros que começaram a carreira em 1969 não poderiam estar em melhor fase. Em julho, foram agraciados com o Prêmio Música Brasileira como melhor dupla regional do Brasil.

Neste 14º Encontro de Violeiros estava presente o jovem José Mauro. No mês em que completa 21 anos, com mais de 10 dedicados à viola, ele se recorda das primeiras apresentações no evento, que para ele começaram em 2009. “Participei em dupla com minha irmã, Polyana, com o Tarcísio Manuvéi e na Orquestra Infanto-Juvenil de Viola Caipira e pra mim já está enraizado, não tem como faltar”, diz José Mauro.

Ele recorda que um dos momentos mais marcantes que o Encontro de Violeiros lhe proporcionou foi a primeira vez em que esteve frente a frente com Zé Mulato & Cassiano hoje, amigos seu. “Era novidade para nós, e eu ainda tinha meu avô do meu lado, muito fã deles. Nos receberam tão bem que eu mal podia acreditar e hoje posso dizer que a amizade cresceu”, recorda o violeiro que perdeu o avô, senhor José Ferreira, no ano passado e por isso esse momento é tão significativo para ele.

E eis que o menino foi de fã a ídolo também em um Encontro de Violeiros de Uberlândia. “Foi quando dei meu primeiro autógrafo… comentei com a Polyana que estávamos parecendo artista grande”, brinca o modesto músico. Afinal, todo artista tem sua natural grandeza.

Por essas e por outras é que além de fomentar a arte da viola em Uberlândia Tarcísio Manuvéi e a Viola de Nóis Produções proporcionam vivências inesquecíveis para quem abre os olhos e os ouvidos para a musa dos sertanejos. E quem ganha, é o público.

Para ter uma ideia da grandeza do projeto, basta ver os nomes de quem já passou por ele. Além dos já citados tivemos Inezita BarrosoPena Branca,Tinoco, Almir SaterSérgio ReisRenato TeixeiraBruna ViolaFernando SodréVioleiro Chico Lobo Chico LoboPereira da V iolaJuliana AndradeLuiz Salgado, Téo Azevedo, Alexandre Saad e João Araújo. Duplas como CACIQUE & PAJÉPedro Bento e Zé da EstradaIrmãs BarbosaMarcos Violeiro e Cleiton TorresLucas Reis e Thacio e grupos como Orquestra de Violeiros de Uberlândia Viola do Cerrado, Violeiros Matuto e Trem das Gerais.

Além do som da viola, a cultura sertaneja foi celebrada com shows de dança catira, contação de causos, apresentações teatrais, palestras e oficinas oferecidas no circuito da viola mais orgânico e acolhedor de Uberlândia. Vida longa ao Encontro de Violeiros, à Viola de Nóis e aos muitos “causos” que virão de suas trajetórias.

Por Adreana Oliveira, Ilustração por Alexandre França produzido para Viola de Nóis Produções.

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